Cirurgia tendão de aquiles: procedimento cirúrgico e recuperação

Guia

Lesão do tendão de Aquiles não é incomum, sendo a ruptura espontânea mais frequente dos tendões do membro inferior.

A expressão “tendão de Aquiles inflamado” é usada com frequência, mas nem toda dor representa inflamação aguda. O termo tendinopatia também descreve alterações relacionadas à sobrecarga e à degeneração do tendão. Ela pode ser não insercional, na porção central, ou insercional, próxima ao calcâneo. A ruptura é uma falha parcial ou completa das fibras e exige avaliação específica.

Lesão do Tendão de Aquiles
Imagem ilustrativa da região do Tendão de Aquiles

Lesão do Tendão de Aquiles: o que é?

A lesão do tendão de Aquiles e a tendinite associada a ele são condições dolorosas e debilitantes que afetam muitas pessoas em todo o mundo. Quando o tratamento conservador não é suficiente, a cirurgia pode ser necessária para reparar o tendão danificado

Neste guia informativo, exploraremos em detalhes causas e tratamentos da lesão do tendão de aquiles e tendão de aquiles inflamado, além de como funciona a cirurgia tendão de aquiles e o que esperar durante a recuperação pós-cirúrgica do tendão de Aquiles. Desde os procedimentos cirúrgicos até os passos essenciais na reabilitação, embarque conosco nesta jornada para entender como superar com sucesso essas lesões desafiadoras.

Imagem ilustrativa da regiao do Tendão de Aquiles
Imagem ilustrativa da região do Tendão de Aquiles

Qual a sensação de quem sofre esse tipo de lesão?

Geralmente quem sofre essa ruptura relata a sensação de um estalo ou um estouro na região da panturrilha, como se tivesse levado uma pedrada! Alguns esportes como: Peteca, tênis, futebol e basquete são os quais a ruptura ocorre com maior frequência.

“A ruptura do tendão do calcâneo, popularmente chamado de tendão de Aquiles, causa a divisão completa do tendão em dois segmentos independentes, comprometendo seriamente a capacidade de movimentar pés e pernas.” Leia mais

Sinais de alerta

Além do estalo ou da sensação de “pedrada”, perda de força para empurrar o chão, dificuldade para caminhar, inchaço, hematoma e incapacidade de ficar na ponta do pé são sinais de alerta. Eles não confirmam sozinhos uma ruptura, mas justificam avaliação médica rápida.

Porque ocorre esse tipo de lesão no tendão de Aquiles?

A lesão do tendão de Aquiles ocorre devido a um processo degenerativo do tendão, normalmente 2 a 6cm acima do calcâneo. Essa é a área mais vulnerável à ruptura pois possui vascularização débil e por isso se regenera com mais dificuldade.

Por ser um dos mais fortes tendões do nosso corpo, esta lesão pode ser incapacitante se não tratada de forma correta, ou seja, pode prejudicar seriamente a sua capacidade de se locomover e executar tarefas que demandem força da panturrilha.

Mecanismo da lesão

A ruptura costuma acontecer após uma força súbita, como arrancada, salto, mudança de direção ou queda, mas pode estar associada a alterações prévias do tendão. Tendinopatia não significa que a ruptura ocorrerá; entretanto, dor persistente, rigidez e redução de força merecem avaliação antes de atividades de alto impacto.

Quais são as possíveis causas da lesão do tendão de Aquiles?

Local onde ocorre a dor pela lesão do Tendão de Aquiles
Local onde ocorre a dor pela lesão do Tendão de Aquiles

Veja alguns fatores mais comuns que podem contribuir para a Lesão do Tendão de Aquiles:

  • Estresse excessivo
  • Obesidade
  • Quedas de mal jeito
  • Movimentos repetitivos que demandem explosão
  • Envelhecimento
  • Os fatores acima são agravantes e podem auxiliar na piora para o rompimento do calcâneo.

Normalmente, homens entre 30 e 50 anos de idade são os mais afetados.

A dor no tendão de aquiles pode ser limitante
A dor no tendão de aquiles pode ser limitante

Causas do Tendão de Aquiles Inflamado:

Uso excessivo ou lesões repetitivas:

  • O tendão de Aquiles pode ficar inflamado devido a um uso excessivo, como praticar esportes de alta intensidade ou atividades que envolvem movimentos repetitivos. Essas ações podem levar a microlesões no tendão, desencadeando a inflamação.

Alongamento inadequado:

  • A falta de alongamento adequado antes da prática de exercícios físicos pode aumentar o risco de inflamação no tendão de Aquiles. A falta de flexibilidade adequada dos músculos da panturrilha pode colocar mais estresse sobre o tendão durante o movimento.

Calçados inadequados:

  • O uso de calçados inadequados, como sapatos sem suporte adequado ou tênis desgastados, pode contribuir para a inflamação do tendão de Aquiles. A falta de amortecimento e suporte adequado pode aumentar a pressão sobre o tendão, causando irritação e inflamação.

“Doenças nos tendões do nosso corpo não são incomuns. Elas podem ser tendinopatias , tenossinovite ou até tendinites. Várias causas podem levar a essas inflamações , como doenças crônicas, sobrecarga durante atividade esportiva, ausência de resistência da musculatura, que leva a uma sobrecarga constante no tendão, ou até mesmo traumas locais.” Leia mais.

Como tratar tendão de aquiles inflamado?

Repouso e gelo:

No início do quadro inflamatório, é importante descansar a área afetada e aplicar gelo no tendão de Aquiles por cerca de 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia. Isso ajuda a reduzir a inflamação e aliviar a dor.

Medicamentos anti-inflamatórios:

O uso de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno, pode ajudar a reduzir a inflamação e aliviar a dor associada ao tendão de Aquiles inflamado. No entanto, é importante consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer medicação.

Medicamentos não devem ser iniciados por conta própria. A indicação depende do histórico clínico, de possíveis contraindicações e da avaliação profissional; além disso, o alívio da dor não significa que o tendão esteja pronto para receber carga elevada.

Fisioterapia :

Um fisioterapeuta pode recomendar exercícios específicos para fortalecer os músculos da panturrilha e alongar adequadamente o tendão de Aquiles. Além disso, técnicas de terapia manual, como massagem e alongamento assistido, podem ser utilizadas para acelerar o processo de recuperação.

Veja neste conteúdo um protocolo de exercícios muito bom para o tendão de aquiles, clique aqui!

Órteses e suportes:

Em alguns casos, o uso de órteses ou suportes para o tornozelo pode ajudar a reduzir o estresse sobre o tendão de Aquiles inflamado. Esses dispositivos fornecem estabilidade adicional e ajudam a prevenir movimentos excessivos que possam agravar a condição.

Tratamento progressivo

Na tendinopatia, o tratamento costuma ser progressivo e pode incluir ajuste temporário da carga, fisioterapia, fortalecimento orientado, modificação de calçados e outras medidas definidas pelo especialista. A escolha depende do tipo de tendinopatia, dos sintomas e da evolução clínica.

Cirurgia (casos graves de tendão de aquiles inflamado):

Em casos graves quando os tratamentos conservadores não são eficazes, pode ser considerada a opção cirúrgica. A cirurgia pode envolver a remoção de tecido inflamado ou reparo do tendão danificado.

Exemplo de técnica cirúrgica moderna para o tendao de aquiles inflamado chamada de Speed Bridge
Exemplo de técnica cirúrgica moderna para o tendao de aquiles inflamado chamada de Speed Bridge

Quais os tipos de tratamentos da ruptura do tendão de Aquiles?

O tratamento da ruptura do tendão de Aquiles depende do perfil do paciente. Em pacientes idosos e fisicamente pouco ativos, o tratamento pode ser feito com repouso, imobilização do tornozelo e fisioterapia. No entanto, em casos de pacientes jovens e ativos, pode ser necessário um procedimento cirúrgico. 

Existem duas formas de tratar o Tendão de Aquiles, cirúrgica ou não cirúrgica. Cada uma das opções disponíveis tem seus prós e contras. É importante buscar um médico especialista para determinar o melhor tratamento para a sua lesão.

O tratamento pode ser não cirúrgico ou cirúrgico. A decisão considera idade, nível de atividade, saúde geral, tipo e localização da ruptura, qualidade dos tecidos e objetivos funcionais. Não existe uma única opção melhor para todas as pessoas

O tratamento não cirúrgico ou conservador

O tratamento conservador da ruptura do tendão de Aquiles é feito com repouso e imobilização do tornozelo. Durante esse período, o paciente deve evitar atividades que possam sobrecarregar o tendão, como caminhar ou correr. É recomendado o uso de muletas ou uma bota ortopédica com calços para ajudar na locomoção. Além disso, é importante realizar fisioterapia para fortalecer o tendão e melhorar a flexibilidade.

No tratamento não cirúrgico ou conservador faz-se necessário uma imobilização por um breve período de tempo como foi dito, que dura por volta de 8 semanas, associado ao que chamamos de reabilitação funcional. Nela é permitido pisar com a imobilização e mobilizar o tornozelo!

Este método faz com que o tendão cicatrize, mas tem a duração média de 18 meses para que o paciente possa readquirir a força da musculatura da panturrilha de volta, quando isso acontece. Outro fator imprescindível a ser considerado é a possível re-ruptura do tendão após o tratamento. Esta pode chegar a 17 % com o tratamento não cirúrgico e a menos de 1% com o cirúrgico. Esse alto índice do tratamento conservador ocorre em pacientes que não foram submetidos à reabilitação funcional.

Lesão do tendão de aquiles
Paciente andando com uma bota ortopédica realizando tratamento não cirúrgico

O tratamento através da cirurgia

Em casos mais graves, o tratamento da ruptura do tendão de Aquiles pode exigir uma cirurgia. Durante o procedimento, o médico irá realinhar o tendão e suturá-lo. A recuperação após a cirurgia pode levar de seis meses a um ano. Durante esse período, é necessário evitar atividades que possam sobrecarregar o tendão e seguir um programa de fisioterapia para recuperar a força e a flexibilidade. A cirurgia é a opção mais viável para acelerar o processo de recuperação. 

O método mais moderno é o minimamente invasivo, com incisões pequenas e guias para realizar o reparo do tendão, permitindo ao paciente pisar no dia seguinte da cirurgia com uma bota e calços protetores.

Quando a cirurgia é considerada?

Quando indicada, a cirurgia procura aproximar e reparar as extremidades do tendão ou reconstruir o tecido em lesões mais complexas. A indicação não deve ser baseada apenas em idade ou desejo de retorno rápido, mas na avaliação da lesão e do perfil do paciente.

Tratamento minimamente invasivo

A cirurgia mais moderna é realizada com técnica minimamente invasiva. Nesse tipo de procedimento, poucos cortes são utilizados para realizar a sutura do tendão.

Técnicas abertas, percutâneas e minimamente invasivas podem ser utilizadas conforme a anatomia, a experiência da equipe e o perfil da ruptura. Em estudo comparativo com participação de Tiago Baumfeld, reparos abertos e percutâneos apresentaram resultados funcionais semelhantes ao final do acompanhamento, reforçando a necessidade de individualizar a escolha.

Imagem de técnica minimamente invasiva para sutura do tendão
Imagem de técnica minimamente invasiva para sutura do tendão

Qual a vantagem de fazer a cirurgia?

A maior vantagem é a velocidade de retorno as atividades cotidianas e ao esporte.

Por exemplo: um atleta que realiza uma cirurgia para a ruptura do tendão de Aquiles e tenha uma cirurgia bem sucedida pode voltar às atividades esportivas de alta performance entre 4 e 6 meses caso a cirurgia for associada a reabilitação funcional.

Cirurgia da Lesão do tendão de aquiles tratamento
Exemplo de cirurgia minimamente invasiva no Tendão de Aquiles

Reabilitação pós cirurgia

A reabilitação após o tratamento, seja ele cirúrgico ou não, é um dos conceitos mais importantes atualmente. Não se recomenda a utilização de gesso ou ficar sem pisar. A carga precoce e amplitude de movimento precoce são essenciais para a restauração do tendão e para evitar ao máximo o risco de uma nova ruptura.

Não há dúvida: Se você teve uma ruptura do tendão de Aquiles e deseja manter as atividades esportivas de alta performance e exercícios diários com melhor desempenho a cirurgia é o melhor caminho a seguir.

Em suma, independentemente do tratamento escolhido, a reabilitação é uma parte importante do processo de recuperação da ruptura do tendão de Aquiles. A fisioterapia ajuda a fortalecer o tendão, melhorar a flexibilidade e reduzir o risco de futuras lesões. O programa de reabilitação deve ser personalizado de acordo com a gravidade da lesão e as necessidades individuais do paciente.

Retorno gradual

A recuperação envolve progressão planejada de proteção, mobilidade, força da panturrilha, equilíbrio, marcha e retorno gradual às atividades. A fisioterapia é necessária com ou sem cirurgia, e não é seguro usar um prazo fixo como garantia de retorno ao esporte. Dor persistente, aumento de inchaço ou perda de força indicam necessidade de reavaliação.

Exame clinico do Tendão de Aquiles
Exame clínico do Tendão de Aquiles

Prevenindo Lesões da Forma Correta

Algumas ações são importantes para que você consiga prevenir a Lesão no Tendão de Aquiles, confira:

  • Procure sempre realizar exercícios de fortalecimento e alongamento da região da panturrilha.
  • Faça revezamento entre exercícios de alto e baixo impacto.
  • Se prepare para fazer uma atividade física com alongamento e aquecimento.
  • Mantenha uma rotina saudável e regular de atividades físicas.
  • Evite a obesidade.

Além disso, é importante escolher o calçado adequado para cada atividade física e evitar exercícios intensos sem o devido aquecimento prévio. E como eu costumo sempre dizer por aqui, cuidem bem dos seus pés!

A prevenção não depende de um único alongamento. É importante aumentar volume e intensidade de treino gradualmente, aquecer, fortalecer a panturrilha de forma progressiva, observar mudanças de calçado e respeitar sintomas persistentes. A AAOS relaciona a tendinopatia a aumento abrupto da atividade, mudanças no calçado, rigidez da panturrilha e deformidade de Haglund.

Conclusão

A ruptura do tendão de Aquiles é uma lesão dolorosa e limitante, mas com o tratamento adequado, é possível se recuperar completamente. É importante buscar ajuda médica assim que os sintomas aparecerem e seguir o tratamento prescrito pelo especialista. Além disso, manter um estilo de vida saudável e praticar exercícios regulares pode ajudar a prevenir essa lesão e outras relacionadas ao esforço físico.

Se tiver mais dúvidas sobre esse tema, entre em contato e tenha um atendimento personalizado com o Dr. Tiago Baumfeld, uma das maiores referências em ortopedia dos pés e tornozelo em BH.

FAQ — Perguntas frequentes sobre lesão do tendão de Aquiles

É uma alteração que pode variar de tendinopatia e microlesões até ruptura parcial ou completa. O tendão conecta a musculatura da panturrilha ao calcâneo e participa da propulsão durante a caminhada, corrida e saltos.

Estalo súbito, sensação de pedrada, dor posterior, inchaço, hematoma e dificuldade para caminhar ou ficar na ponta do pé são sinais de alerta. A confirmação depende de avaliação médica, podendo incluir o teste de Thompson e exames de imagem.

Os termos são usados de formas diferentes. Tendinite costuma sugerir inflamação aguda, enquanto tendinopatia é um termo mais amplo para alterações relacionadas à sobrecarga e degeneração. O diagnóstico clínico define o problema predominante.

Não. A cirurgia e o tratamento não cirúrgico são opções possíveis em contextos diferentes. A decisão considera idade, atividade, tipo de ruptura, condições de saúde, qualidade dos tecidos e objetivos do paciente.

Nem sempre. O exame físico pode ser suficiente em alguns casos, mas ultrassom ou ressonância podem ajudar a confirmar a lesão, localizar a ruptura, estimar sua extensão e esclarecer dúvidas diagnósticas.

A recuperação ocorre ao longo de meses e varia conforme a gravidade, o tratamento e a resposta à reabilitação. Não é seguro prometer um prazo fixo para voltar ao esporte; a liberação depende de critérios clínicos e funcionais.

Algumas pessoas conseguem caminhar, mas com dor, alteração da marcha ou perda de força. Conseguir caminhar não exclui uma ruptura. Evite testar o tendão e procure avaliação.

Interrompa a atividade, evite corrida e saltos, proteja o membro e procure atendimento. Gelo protegido por tecido e elevação podem aliviar sintomas, mas não substituem diagnóstico e orientação profissional.

Não. A evidência e a indicação dependem do tipo de tendinopatia. O estudo citado avaliou ondas de choque com fortalecimento em tendinopatia insercional; isso não equivale a tratamento para ruptura aguda nem serve como indicação automática.

Complete a reabilitação, fortaleça progressivamente a panturrilha, aumente a carga de treino de forma gradual, use calçados adequados à atividade e não ignore dor ou rigidez persistentes.

Revisão técnica e autoridade médica 

Este conteúdo foi revisado e validado pelo Dr. Tiago Baumfeld, ortopedista especialista em pé e tornozelo. O Dr. Tiago possui uma trajetória acadêmica e profissional de excelência, com foco em tratamentos inovadores e cirurgias complexas da articulação do tornozelo.


Aviso:
 este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com um médico. Procure um ortopedista para avaliar o seu caso individualmente.

Referências:

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Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com um médico. Procure um ortopedista para avaliar o seu caso individualmente.