Como funciona a biomecânica do tornozelo

Guia

A biomecânica é um campo interdisciplinar que busca compreender como as forças mecânicas influenciam o funcionamento dos sistemas biológicos. No contexto da anatomia humana, a biomecânica desempenha um papel crucial na compreensão de como nossos corpos se movem e funcionam. 

Uma área de particular interesse é a biomecânica do tornozelo, que examina as complexas interações entre ossos, músculos, ligamentos e articulações que permitem o movimento dessa região crucial do corpo humano. 

Neste artigo, exploramos em detalhes como funciona a biomecânica do tornozelo, abordando desde sua anatomia básica até os mecanismos envolvidos em diferentes tipos de movimentos.

Anatomia do tornozelo

Antes de mergulharmos na biomecânica do tornozelo, é fundamental entender a sua anatomia. O tornozelo é composto por três ossos principais: a tíbia, a fíbula e o tálus. A tíbia e a fíbula são ossos da perna, enquanto o tálus é um osso do pé. 

Esses ossos formam duas articulações principais no tornozelo: a articulação tibiofibular e a articulação tibiotalar. A articulação tibiofibular permite o movimento entre a tíbia e a fíbula, enquanto a articulação tibiotalar permite o movimento entre a tíbia e o tálus.

Além dos ossos, a biomecânica do tornozelo também envolve músculos, ligamentos e tendões. Os músculos da panturrilha, como o músculo gastrocnêmio e o músculo sóleo, são responsáveis por movimentos como flexão plantar, que ocorre quando levantamos os calcanhares do chão. Os ligamentos, como o ligamento deltóide e os ligamentos laterais, fornecem estabilidade à articulação do tornozelo e ajudam a evitar movimentos excessivos.

Leia também esse artigo sobre Partes do pé: nomes dos principais ossos e articulações

Imagem anatômica do tornozelo

Mecanismos de movimento do tornozelo

Flexão plantar e dorsiflexão

A flexão plantar e a dorsiflexão são dois dos principais movimentos do tornozelo. A flexão plantar ocorre quando apontamos os dedos do pé para baixo, como ao nos colocarmos nas pontas dos pés. 

Esse movimento é essencial para atividades como caminhar, correr e pular. A biomecânica por trás da flexão plantar envolve a contração dos músculos da panturrilha, que puxam o calcanhar para cima, enquanto os músculos na parte frontal da perna relaxam.

Por outro lado, a dorsiflexão é o movimento oposto, no qual levantamos os dedos do pé em direção à canela. Esse movimento é crucial para atividades como levantar o pé ao caminhar e ao subir escadas. 

A biomecânica da dorsiflexão envolve a ativação dos músculos anteriores da perna, como o músculo tibial anterior, que puxa o pé para cima, enquanto os músculos da panturrilha relaxam.

Inversão e eversão

A inversão e a eversão são movimentos laterais do tornozelo. A inversão ocorre quando a sola do pé gira em direção à linha média do corpo, enquanto a eversão ocorre quando a sola do pé gira para longe da linha média. 

Esses movimentos são controlados por músculos e ligamentos específicos. A inversão é frequentemente associada a lesões de tornozelo, como entorses, devido à tensão excessiva nos ligamentos laterais.

Movimentos do tornozelo
Movimentos do tornozelo

Biomecânica da marcha

A marcha, ou o ato de caminhar, é um dos comportamentos humanos mais fundamentais e complexos, envolvendo uma intrincada interação entre várias partes do corpo, incluindo o tornozelo. A biomecânica da marcha requer uma coordenação precisa de movimentos para manter o equilíbrio e avançar eficientemente.

Durante a marcha, o tornozelo desempenha um papel vital na propulsão do corpo para a frente. Quando o calcanhar toca o chão, ocorre a flexão plantar, preparando os músculos da panturrilha para empurrar o corpo para frente. 

Conforme o pé rola sobre a sola, a dorsiflexão começa a ocorrer, preparando o pé para levantar-se do chão no próximo passo. Essa alternância entre flexão plantar e dorsiflexão é essencial para manter um padrão de movimento fluido durante a marcha.

Fases da marcha
Fases da marcha

Lesões e reabilitação

Devido à sua importância na locomoção e no suporte de peso, o tornozelo está sujeito a várias lesões, incluindo entorses, fraturas e tendinite. Compreender a biomecânica do tornozelo desempenha um papel crucial na prevenção e reabilitação dessas lesões.

A reabilitação de lesões no tornozelo frequentemente envolve exercícios específicos para fortalecer os músculos ao redor da articulação, melhorar a amplitude de movimento e restaurar a estabilidade. Exercícios de equilíbrio e propriocepção também são frequentemente incorporados para ajudar a fortalecer os músculos estabilizadores do tornozelo e melhorar a coordenação.

Veja esse artigo cientifíco ANATOMIA E BIOMECÂNICA DO TORNOZELO E PÉ

Considerações finais

A biomecânica do tornozelo desempenha um papel fundamental em nossa capacidade de nos mover e realizar uma variedade de atividades físicas. Desde os movimentos básicos de flexão plantar e dorsiflexão até a complexidade da marcha humana, o tornozelo é uma articulação que exige um equilíbrio preciso entre ossos, músculos e ligamentos

Compreender a biomecânica do tornozelo não apenas nos ajuda a evitar lesões, mas também nos permite otimizar nosso desempenho físico e desfrutar de uma vida ativa e saudável. Portanto, ao explorar os meandros do funcionamento do tornozelo, ganhamos uma apreciação mais profunda da incrível engenhosidade do corpo humano.

Se tiver mais dúvidas sobre esse tema, entre em contato e tenha um atendimento personalizado com o Dr. Tiago Baumfeld, uma das maiores referências em ortopedia dos pés e tornozelo em BH.

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